segunda-feira, 20 de agosto de 2007

MAIS OU MENOS VEGETARIANA

Há uma piadinha velha e bem infame sobre o vegetariano que leva uma mulher para trás da moite e... come a moita.

Bom, parece que o dilema do vegetariano (a mulher ou a moita? a moita ou a mulher?) será finalmente solucionado. Notícia da Folha Online de hoje:

Mulher-Samambaia vai abrir restaurante vegetariano
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u321302.shtml)

A fêmea humano-pteridófita revela algumas tendências, digamos, quase canibais (será um caso inédito de canibalismo vegetal). Afinal, segundo a reportagem:

"A quem interessar possa, a Mulher-Samambaia revela sua preferência à mesa: gosta de comer folhas. 'Sou mais ou menos vegetariana. Também como frango de vez em quando.'"

Mais ou menos vegetariana? Alguém já ouviu falar de alguma planta mais ou menos carnívora?

Gosta de comer FOLHAS?? ...online?
(Um dia ainda vou tentar uma dieta à base de alimentos virtuais.)

Agora, falando sério. À pergunta, inevitável, sobre se pretendia se tornar atriz-cantora-apresentadora, a resposta da moça foi simples:

"Não, sou muito tímida. Quero ficar no 'Pânico'."

É um alívio ver alguém que, apesar da beleza inquestionável e depois de posar para uma revista masculina, não ambiciona ser apresentadora de programa infantil, cantora, atriz, ou seguir a carreira de "famosa" (carreira "artística" nova e em ascenção, após bigbrothers e afins). Acho que uma moça bonita que faz sucesso na televisão e não acha que "é artista" deveria ser um exemplo para todas os meninos e meninas bonitas que sonham em ser modelos ou em participar de qualquer destes programas do tipo "reality show" (diga-se de passgem, muito mais "show" que "reality"). É preciso que se compreenda que modelo não é artista, é modelo. O fato de alguns modelos se tornarem atores e atrizes deve ser encarado como uma exceção, não como a regra. Quem lembra da novela "Explode Coração" da Globo (aqui, alguns dados sobre os bastidores), há de lembrar do Ricardo Macchi, um exemplo de que, mesmo com a maior boa-vontade, a transição não é automática.

Aderindo à máxima "em time que está ganhando não se mexe", a insigne pteridófita humana demonstra grande senso de estratégia e uma sensibilidade admirável. Nossos ouvidos e senso estético agradecem!


sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

O SOL É PARA TODOS

O Sol é Para Todos, Harper Lee
Título Original: To Kill a Mockingbird (1960)
Tradução:
Fernando de Castro Ferro (1963)
Ed. Civilização Brasileira

Típica leitura de férias (para mim), o livro conta a história de Atticus Finch, um advogado do Alabama que defende um negro acusado de violentar uma jovem branca. A história é contada do ponto de vista dos filhos deste advogado de província, o que confere um tom bastante leve à narrativa. A autora retrata de forma bastante delicada e sutil o contexto das relações raciais no sul dos EUA na primeira metade do século XX. A influência deste contexto sobre os filhos de Finch e seu indefectível amigo de férias são mostrados com enorme sensibilidade. É difícil não reconhecer em algumas passagens um pouco da infância de todos nós.

Viúvo, com dois filhos relativamente pequenos, Atticus Finch passa muitas vezes a imagem do pai idealizado nas décadas de 1960-70. Contudo, tanto o personagem, como a trama realista, parecem bastante verossímeis. Isto constrói uma narrativa agradável e, de alguma forma, otimista. Há uma sugestão, presente ao longo do livro todo, de que mesmo nas sociedades e situações onde a intolerância reina absoluta, há pessoas que lutam silenciosamente pela igualdade, através da não-violência, apenas não se rendendo aos valores com os quais não concordam.

O livro foi publicado em 1960, não por acaso cinco anos após o boicote aos ônibus liderado pelo reverendo Martin Luther King Jr. Em 1963, King lideraria a histórica marcha a Washington DC, quando proferiu seu famoso discurso “I have a dream” (“Eu tenho um sonho”)*. Não é demais lembrar que King foi o mentor do uso da resistência pacífica e da não violência na luta pelos direitos civis nos EUA.

A tradução que li é de 1963. Em alguns pontos, a construção das frases e as expressões utilizadas deixam a impressão de uma tradução Lusitana, ou de adaptação desta. Mas, apesar de causar alguma estranheza em alguns pontos, a leitura flui naturalmente. O filme de 1962, baseado no livro, ganhou três Óscares: melhor direção, melhor roteiro e melhor ator, com Gregory Peck no papel de Atticus Finch.

Enfim, é um livro de relevância histórica, que permite uma leitura lúdica. Traz com personagens bem delineados e uma mensagem de muita fé no ser humano, deixando saudade ao ser terminado, como as melhores leituras e as férias de verão.

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* O texto original do discurso (em inglês) pode ser encontrado facilmente na Internet (por exemplo, aqui, com uma breve introdução histórica). Uma versão em português pode ser lida aqui.